A oposição e a imprensa de Alagoinhas não sabem criticar





A esquerda, até os anos 90, sabia criticar. Virou vitrine, perdeu a mão e a identidade. A direita tradicional (hoje União Brasil) deixou de ser vitrine e não sabe criticar. A nova direita - os conservadores - em nível nacional sabe criticar, sobretudo os ex-alunos do Olavo de Carvalho e o pessoal da Brasil Paralelo, que tem o príncipe Luiz Philippe como uma espécie de mentor/referência. Internacionalmente os conservadores possuem grandes intelectuais. Não sou conservador nem bolsonarista, nem tampouco socialista. Sou simpático do anarquismo sem adjetivos, mas vejo que ele só virá com a evolução intelectual da humanidade.


Estamos desaprendendo, salvo raras exceções, em Alagoinhas, ninguém mais sabe criticar, nem eu mesmo, mas pelo menos eu sei qual o caminho para uma boa crítica. Criticar é definir os limites de um objeto, saber o que ele é de fato e o que ele não é, fazendo relação de causa, consequência, determinação e finalidade. Dizer o que algo tem de errado é ainda uma crítica parcial. É preciso dizer o que não funciona bem e como poderia ser - o que é e o que poderia ser.  É necessário falar da parte dentro da sua relação com as demais partes e com o todo - é simples, por isto mesmo demanda alta especialidade e refino intelectual. Tínhamos isto na cidade e o perdemos. Com essa epistemologia, retiraremos os critérios adequados para avaliar os respectivos desempenhos e conduzir novas análises sustentadas em um terreno lógico e compartilhado.


A oposição e a imprensa se detêm à parte, falta abordagem sistêmica, tudo é sempre muito pontual. Criticam a falta de manutenção eficiente de equipamentos na maternidade e na Policlínica Municipal, mamografia. Crítica pertinente, claro. Mas não dizem nada sobre o longo tempo que se aguarda para a realização de exames e consultas com especialistas. Esse é só um exemplo.


A pergunta que não se faz é: como se opera o sistema SUS no município? Dentro de uma pergunta maior: como está a gestão pública do município? Qual o perfil, qual o contorno, o que está dentro e o que está fora, qual sua contingência e a sua alteridade?


Criticar requer empenho e algum talento, é preciso dedicação e sobretudo levantamento de dados. Todo diagnóstico feito em Alagoinhas se configura em achismo por falta de dados. Esse é um problema fundamental e sistêmico. Tudo termina sendo fragmentado: a gestão e a crítica à gestão. Pior é não se dar conta disto. Como dizer da relação das partes com o todo? O PT até os anos 90 sabia fazer isto, e a direita tradicional- seus intelectuais - também tinham esta capacidade.


Vou fazer em linhas gerais a crítica da atual gestão - sempre em sentido construtivo, apoio e torço por Gustavo Carmo. O problema desta gestão é seguir um roteiro de marketing e abandonar a sistematização administrtativa - uma contaminação do que faz o  PT em duas décadas. A Prefeitura aposta em ações de baixo custo de grande apelo de marketing. Exemplo: investe no Bolsa Atleta, que beneficia os esportes individuais em detrimento dos coletivos ao invés de construir centros esportivos nos bairros para atletismo, basquete, volei, natação para TODOS.


Na cultura, se pretende fortalecer o turismo, colocando a cultura à reboque do turismo, o que significa ênfase na cultura de massa ao invés de criar centros formadores de arte nos bairros com desenho, pintura, escultura, teatro, música, dança, literatura, fotografia e cinema - CULTURA DE VERDADE E DE QUALIDADE. A escola em tempo integral é também uma forma de fazer isto: CULTURA PARA TODOS.


Em saneamento, por que não se completa o sistema de tratamento de esgoto? Estão degradando a mata ciliar da Fonte do Padres e do Rio Catu utilizando tratores para fazer seu manejo. Lembrando que temos um Plano de Saneamento Ambiental engavetado e mofado, realizado por uma das maiores autoridades sanitárias do país, Luiz Roberto Moraes.


As três creches e as três unidades de saúde adquiridas do Governo Federal, em que pé estão? Silêncio total, dependem do perdulário governo Lula - NEM LULA NEM BOLSONARO. Esta condição de pobreza crítica se dá também pela mentalidade mesquinha do empresariado local, ávido por verbas de emendas parlamentares não importantdo a qualidade, prioridade e acerto das intervenções. Estamos há duas décadas e meia investindo em asfalto, bilhões em asfalto e quase nada nas pessoas - prioridade 1 é saúde e educação.


É preciso sair do imediatismo, ver as coisas de forma panorâmica e em perspectiva - OLHAR O TODO. Precisamos sobrevoar a cidade e entender intimamente sua cultura, seus potenciais e fragilidades. Um ponto que torna essa visão turva é a pauta woke, bem vinda para o marketing - fazer eventos de baixo custo com amplo impacto midiático. A pauta woke junto com o calendário colorido - cada mês de uma cor- impede a visão do todo e subverte o senso de prioridade. As questões identitárias são relevantes e merecem toda a atenção, mas não podem deslocar para a periferia as questões essenciais: Saúde, Educação, Cultura, Empregabilidade e Renda.


E a viagem internacional do prefeito? Mais uma peça de marketing? Ir tão longe quando não conseguimos implantar o modelo de Sobral? Outro entrave à visão sistêmica é o Orçamento Participativo, sem representatividade, com reuniões com gatos pingados, simplesmente um engodo. Os vários planos produzidos este ano têm o mesmo vício de origem, feitos por grupelhos petistas. Gustavo Carmo será melhor que Joseildo, Paulo Cezar e Joaquim Neto, mas isto não representará que os problemas foram atacados corretamente, apenas que o ruim se tornou de regular a bom. Enquanto o marketing cegar a todos. Ainda há tempo para corrigir o desastroso e enganoso rumo - MUITA PURPURINA E AINDA MUITO ASFALTISMO. Um ponto positivo é a capacitação do funcionalismo e a melhora da zeladoria. A saúde ainda continua na mesma, este deveria ser o foco.



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