Imprensa alagoinhense: críticos x bajuladores
A imprensa de Alagoinhas sempre foi marcada por esta divisão entre aduladores do poder, de um lado, e críticos do poder, muitas vezes perseguidos e retaliados na divisão do bolo publicitário. Com justa razão os críticos são chamados de jornalistas e os passapanista se autointitulam genericamente de imprensa local. Os aduladores não fazem jornalismo, mas seus programas têm o formato de mídia jornalística, simulam programas jornalísticos, mas vendem caro seu atrelamento ao poder e são os que de fato ganham dinheiro, por meio deste falseamento.
Não vou aqui separar o joio do trigo como já ensaiei fazer outras vezes, apenas digo que a régua, o referencial para medir quem faz e quam não faz jornalismo é a atuação de Belmiro Deusdete, no Programa Primeira Mão. Belmiro é o exemplo vivo e impecável de como se deve fazer jornalismo.
Existe um problema maior causado pelos bajuladores além de esconder a verdade e manipular com a notícia com meias verdades. Os bajuladores deixam os poderosos mal acostumados, mais sensíveis e intolerantes à crítica. O público também fica com sua percepção prejudicada, passam a ver o crítico como o problemático ou como o louco que ousa desafiar os poderosos. A bajulação é normalizada e a mentira ganha status de verdade ou de verdade permitida.
Fora poucos jornalistas de verdade, sobraram poucos agentes políticos dispostos a fazer a crítica a exemplo de Tonho Rato. Mas quem faz mal à cidade e aos governantes, os bajuladores ou os críticos? Os bajuladores sem dúvida são a verdadeira desgraça da cidadania e da gestão. Os bajuladores venais fazem decair a qualidade política da cidade. Um prefeito como Gustavo Carmo, filho de um jornalista e verdadeiro democrata, que lutou contra o regime militar, deve prestigiar os críticos, ainda mais que prega levar o município para o futuro.
O político que não seja tirânico ou picareta deve se aliar aos críticos e se afastar dos bajuladores. Veja como a cidade cresce com as participações de Juscélio Carmo no rádio. Joaquim Neto melhorou seu segundo mandato com relação ao primeiro, graças às críticas de Juscélio aos sábados. Agora, em participação no Primeira Mão, com uma equipe que honra a história do programa, Juscélio mostra que é dos poucos homens públicos dignos da cidade.
Ele encara a cidadania de forma tão elevada que critica o próprio sobrinho, Gustavo Carmo. Só faço um reparo, talvez esteja pegando pesado demais com o Hilton Ribeiro. Os erros de Hilton foram acordados com Joaquim Neto e agora com Gustavo Carmo. Neto e Gustavo são os autores da "incompetência" com relação ao transporte público.
Existe o caso de Nilton Vasques. Sempre me perguntam se o articulista é jornalista. Eu digo que sim, é jornalista. Trata-se do jornalismo militante, diga-se, político. Se deixa de ser jornalismo, se o jornalista militante se quiser passar por jornalismo imparcial, aquele que merece o título de "jornalismo", conceitualmente integral. O jornalismo militante deve se assumir e se declarar como tal. - Ah, mas Nilton vasques não faz isto... Eu respondo, não precisa, o jornalista tem ligações com a vereadora Jaldice Nunes, está visível o caráter militante. E digo mais, o que ele faz é tão jornalismo que suas críticas são raramente refutadas e ajudam a quebrar a carapaça da bajulação. A crítica de Nilton contribui com a cidadania, pois o que de fato a aleija é a bajulação. E Nilton só é atacado porque critica e porque é preto e pobre.


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