Pestalozzi atuante: Abril foi dedicado à conscientização sobre o Parkinson
Por Paulo Dias
Abril foi o mês destinado à conscientização sobre a doença de parkinson. A Associação Pestalozzi de Alagoinhas, um Centro Especializado em Reabilitação (CER III) que atua em parceria direta com o Sistema Único de Saúde (SUS), mantém um grupo de pessoas com parkinson para oferecer cuidados em fisioterapia e em psicologia, além de contarem com uma rede de atendimento que envolve vários profissionais da área médica e da assistência social. No dia 22, uma quarta-feira, estes assistidos saíram para uma caminhada seguida de exibição de vídeos sobre o tema e um bate-papo entre eles. Um lanche com frutas encerrou a confraternização.
Somos um grupo de oito pessoas - isto mesmo, somos, eu também sou uma pessoa com parkinson - que nos unimos para enfrentarmos juntos os desafios de viver com uma limitação neurológica. Ocorre por falta de produção de dopamina, um importante neurotrasmissor. Nós, pessoas com parkinson, sofremos com tremores, rigidez muscular, lentidão. De modo geral, como lidamos com estas limitações, foram o tema predominante da conversa.
Cada qual procura desenvolver alguma atividade de que gosta. Há quem faça capoeira, outro, jiu-jitsu. O hábito de ler romances e fazer resenhas é cultivado por um dos companheiros, que trabalhava como mergulhador. Um anda de bicicleta, outro pilota moto. Eu escrevo para este blog e para o Fala Gomes, como colaborador e estudo - cursos de curta duração on line. Hoje, o texto que fazia em 2 horas, levo o dia todo, catando milho, voltei a catar milho. O que todos nós aprendemos foi a ter paciência, bons sentimentos e pensamentos, manter o corpo em movimento.
Os encontros nas quartas são conduzidos pelos fisoterapeutas Riclécio Viana e Cinthia Sales e pela psicóloga Nelita Pinheiro, sob a coordenação da fisioterapeuta Iramar Bacelar. Temos momentos reflexivos que nos convidam a lidar com nossos sentimentos e nos conhecermos melhor, abre-se também a possibilidade de aprendermos uns com os outros, enriquecendo nossas vidas com as mais variadas experiências e pensamentos.
Cada um inspira o outro e lhe serve de espelho. O lema é não deixar a peteca cair, encontrar motivação nas mínimas coisas. Contando nossas vivências, também ativamos nossa memória. Nelita se desdobra em encontrar jogos e dinâmicas que nos mantêm mentalmente ativos e emocionalmente bem. O clima é de alegria e camaradagem. A fisioterapia trabalha alongamento, fortalecimento muscular e aciona nosso senso de equilíbrio e aperfeiçoa a coordenação motora.
Interessante é que Rick, Cinthia e Nelita participam das atividades como umde nós do grupo. Não há dúvida que toda esta positividade nos ajuda e muito. Autonomia, autoestima, integração, a cada encontro enchemos nossas vidas de ânino e elas ficam mais leves. Os casos de melhora são notáveis, vivemos melhor a cada semana. Este é um texto modesto, feito catando milho como todos que fiz aqui no blog. Prometo fazer uma matéria caprichada do grupo e deste significativo trabalho.


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