Nem Lula nem Flávio Bolsonaro


Por Paulo Dias

 

O momento é claramente perturbador.  A vinculação de Flávio Bolsonaro ao escândalo do Master foi um presente para a esquerda, que desejou colocar todos no mesmo plano, no mesmo nível de honestidade. "Somos todos farinha do mesmo saco", este é o mellhor ambiente para estes, para tocar a campanha presidencial, e, de fato, são raros os probos nesssa seara. O fato é que não podemos viver nem normalizar esta pobre polarização.


Agora estamos feitos, temos, ao que parece, dois candidatos supostamente envolvidos em corrupção. Nós que queremos uma terceira via, somos mal vistos e mal intencionados. Mas não, somos os ponderados, os equilibrados e os mais responsáveis. Até demonizam o voto nulo, mas o que fazer quando duas pessoas questionáveis disputam o segundo turno? Eu vou dar meu voto conscientimente e não pragmaticamente, são coisas diferentes. Não devemos votar em candidatos suspeitos de corrupção. Votar no que perde não é perder, é vencer a retórica do "menos pior". Claro que sempre torcemos que vença o menos pior, mas temos que ter a coragem de votar no melhor.


O que mais conta contra Flávio Bolsonaro é o fato de ter se dirigido a Daniel Vorcaro com grande intimidade: - "Meu irmão, meu irmãozinho". Não dá para engolir. Quem rejeita o que a esquerda fez com o mensalão e o petrolão não pode fazer vista grossa para as atividades sempre suspeitas de Flávio. Claro que importante parte da esquerda, ao que parece, sustenta um suposto sistema de corrupção internacional, suspeito de ligações com o narcotráfico e o terrorismo. Conter a esquerda corrupta - estão isentos os esquerdistas de verdade- é primordial, mas tem que se estar sem máculas para fazê-lo.


Estamos diante de um impasse, escolher entre duas opções ruins, Lula x Flávio. Ronaldo Caiado é pragmático demais, técnicista, economisista  demais. É preciso mais coração e sensibilidade para necessidades culturais e espirituais, humanas enfim. Romeu Zema tem coração e sensibilidade, mas talvez lhe falte pulso e ginga para enfrentar situações indigestas. Pois bem, vamos chamar por Deus, pelos espíritos de luz e pelos Orixás para unirmos o país. Com isto em mente, tudo vai depender de como iremos encarar estas eleições - fechar a caixa de pandora.

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