Futebol e Presidência: que inveja da Argentina
No futebol, sempre admirei a raça que tinham, era tenso enfrentá-los, mas nosso talento prevalecia, embora tivessem também bons times, grandes craques. Além da arrogância, eram velhacos, catimbeiros demais- dava ódio. Hoje vendo nossa seleção pipocando, com o psicológico enfraquecido, a raça argentina nos causa inveja e incômodo.
Para mim, os brasileiros não estão nem aí para o Brasil, o coração deles está em seus respectivos clubes, que lhes garantem uma vida boa. Uma vida que não tiveram no Brasil durante suas respectivas infâncias. Um Brasil que massacrou eles mesmos, seus pais e antepassados impiedosamente. Como amar esse país, arriscar quebrar uma perna por ele, principalmente vendo sua elite indiferente e seus políticos corruptos? Não existe motivação para ter raça. Você pode dizer que na Argentina também tem pobreza. Sim tem, mas o senso de pertencimento deve ser maior.
O Argentino, de modo geral,é racista quanto aos pretos. Mas lá eles são 1% da população e não estão na seleção. Na realidade, já foram 40% do total demográfico. Foram exterminados pela participaçao massiva em guerras - formavam sempre o pelotão de frente - e por epidemias que vitimavam, lógico, os mais pobres.
O preto brasileiro é pobre majoritariamente, excluído brutalmente, vilipendiado pela polícia e morto por ela. O que lhe sobra - trens e ônibus lotados de madrugada e em parte da noite, quando chegam exaustos em casa. Morrer na fila de um SUS, viver sem perspectiva com uma escola péssima, se sentir roubados e esquecidos. Como ter patriotismo, como ter raça em campo, a mesma taça argentina?
Até 2002, a seleção era uma porta para se chegar à Europa ou para lá se firmar ou para coroar uma trajetória de sucesso, aumentando os ganhos com publicidade. Mas agora, ainda mais que não nascem mais Ronaldos, Ronaldinhos, Zicos, Sócrates e Neymar, esquece...
Na política, eles têm um presidente honesto e competente. Aqui estamos muito longe disso. Nem copa, nem saída do nosso fosso de corrupção e incompetência. É isso aí, país sem esperança e sem futebol.


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