Ida de Antonio Barreto para a Prefeitura e a crítica social

 






Ninguém poderá dizer que Antonio Barreto, principal crítico do governo municipal, está agindo levianamente ao deixar de ser pedra para ser vidraça. Nenhum interesse pessoal há nisso. Sua honestidade está aacima de qualquer suspeita. Mas se pode questionar a coerência. Barreto se manifestou na internet afirmando que deixa o lado da crítica para contrbuir de forma mais efetiva com a prática, deixando entender que o governo de Gustavo Carmo está disposto a seguir novo rumo - mudar de índole e de princípios?


 Mas não se mencionou como este processo de mea culpa foi feito, se é que foi feito. Também poderá ter havido um compromisso de não se repetir os erros do passado, não se demovendo seus elementos causais, assim podendo se desdobrarem em outros de uma nova modalidade, porque o fato gerador (ou estrutura) permanece. Se um erro foi cometido por incompetência da equipe,  por exemplo, determinado erro pode não ser repetido, mas a causa, a incompetência, permanece e vai comprometer a administração de uma outra maneira, em tese.


Parece estranho que uma mudança de rumo ocorra com a aquisição de um quadro oposicionista, por mais competente que Antonio Barreto seja. Ele deveria dizer como se dará esta mudança tão significativa que o fez trocar radicalmente de lado. Mas transparência é coisa que se exige dos outros.


Nilton Vasques, falando da decisão, lamentou o enfraquecimento do censo crítico no debate público, menos um no já pequeno grupo de vozes oposicionistas, é fato. Isto é verdadeiramente lastimável. Somos uma colônia chinesa e já agimos como tal, introjetamos o modelo autoritário. Se perdeu o pudor de solapar a democracia. E por mais que confiemos na boa índole de Gustavo Carmo, não se pode esconder que ele opera para constituir, em Alagoinhas, o modelo de partido único.


A cultura de criticidade, criada quando o PT estava na oposição, a sociedade civil organizada, deixou de existir há tempos com a migração das lideranças populares para os governos. A China já encontrou o terreno aplainado. Hoje formam a classe média estamental, e se distanciam do povo,  passando a defender a perpetuação do partido no poder acima de tudo, contando com corrupção e tudo o mais. Ninguém está a fim de criticidade, esta passou a ser un ardil para chegarem ao poder. A corrupção e a incompetência campeiam tanto que o povo já desanimou de criticar. Eu continuo com a criticidade, até mesmo por isso e por saber que sua falta nos cobrará um preço muito alto, que penalizará as futuras gerações.

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