Salário de gestor do SAAE pode estar acima do teto constitucional
O correto no jornalismo é sempre ouvir as duas partes envolvidas em uma denúncia ou queixa. Isto é fato, mas em tempos de internet, cabe também ao agente público estar sintonizado com as redes sociais. A nenhum deles é facultado alegar desconhecimento do que se passa no ambiente virtual, ainda mais em uma cidade pequena como Alagoinhas.
Quando se tem uma mídia que se cala, espera que o entrevistado tome a iniciativa da denúncia e se limita, o entrevistador, a dizer: "com a palavra as autoridades competentes" e o assunto assim more. Então só a nós do jornalismo escrito que cabe a exigência de ouvir os dois lados da questão. Isto é excessivamente chato e enfadonho. Conectar com o secretário de Comunicação, para ele sondar a autoridade competente, e nisso o tempo passa e a notícia e o ânimo de escrever a matéria esfriam.
Neste caso, não vou seguir o protocolo, até mesmo porque acho que o prefeito não quer rebater as críticas, tem se comportaodo assim, então por que importuná-lo, pedindo esclarecimento?
A situação agora é grave. O jornalista Nilton Vasques noticiou que o vereador Luciano Almeida constatou uma irregularidade no pagamento do gestor do SAAE, Renavan Andrade Sobrinho. Este estaria muito acima do teto constitucional, que passou a ser de R$ 46.366,19 a partir de 1º de fevereiro de 2025. O engenheiro, segundo Luciano Almeida, recebe R$ 60 mil/mês, o dobro do salário do prefeito e cerca de duas vezes e meia de um secretário, ferindo assim também a isonomia. E, segundo a denúncia, o diretor da autarquia ainda tem direito a penduricalhos que levariam sua remuneração para algo em torno de R$ 1 milhão/ano.
Se for verdade, a irregularidade é patente e indefensável. Por isso, melhor deixar como está. Qual o profissional da nossa comunicação terá coragem de arguí-lo no ar sobre isto? Principalmente, sabendo que o cargo está relacionado ao PT, que controla o Governo do Estado - manda quem pode, obedece quem tem juízo? Será que suas lideranças vão usar a carta do "eu não sei de nada", como Lula fez no mensalão? Ou vão achar um bode espiatório? Se for verdade, o caso cai como uma bomba em um ano eleitoral. Mas os socialistas podem fazer o que quiser, não é assim?
O governo segue acumulando críticas espinhosas. Primeiro foi a desorganização com o término dos contratos e o expediente do contrato emergencial, depois teve a construção de um frigoríco em cima de uma fossa na Central de Abastecimento. Houve a admissão tardia de débitos deixados pelo SAAE e um empréstimo para instalação de energia solar que foi desviado de função, sendo utilizado em pavimentação. Houve a denúncia dos prédios alugados sem a pronta utilização. Mais recentemente, a tramitação açodada da operação de crédito e o reordenamento da rede escolar, necessário, nas não devidamente aplicado com o imprescindível diálogo com as comunidades implicadas, segundo a oposição.
Agora esta nova revelação, que vem acompanhada de críticas por falta de água e ao alto nível de desperdício do volume bombeado. O município carece de reservação. Um reservatório elevado custa, segundo o próprio Renavan, algo em torno de R$ 6 milhões, por isto não se pode gastar tanto com asfalto, esquecendo-se de outras prioridades
Em todos estes assuntos, a estratégia do governo municipal foi silenciar. Em tempos de redes sociais, de informação em tempo real, não se redige uma nota. Eu que faço imprensa escrita tenho que bater na porta da Prefeitura, pedindo que ela se manifeste. Parece que a regra de ouvir os dois lados começa a não fazer mais sentido. Chegou talvez a hora de promover uma coletiva de imprensa, tratando de todos estes assuntos, objeto de críticas. Ou parar de cometer erros elementares e evitáveis.


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